19 de março de 2018

O trunfo do coaching

No que diz respeito ao treinamento e desenvolvimento de profissionais há duas condutas preponderantes. A mais tradicional busca corrigir os pontos fracos enquanto a outra recomenda reforçar os pontos fortes. Afinal, qual delas está certa?

Marcus Buckingham em seu livro “Descubra seus pontos fortes” e, no anterior, “First Break All The Rules”, baseia-se nas pesquisas da Gallup para mostrar que se você usar as ferramentas de desenvolvimento para corrigir pontos fracos, a empresa tem um retorno menor do que quando investe em esforço e recursos para desenvolver os talentos. No fundo todos sabemos disso. Afinal, ninguém chega para um filho genial em matemática e diz: Filho, vá fazer faculdade de letras, matemática é fácil para você!

Contudo, nas organizações a tendência muitas vezes é justamente esta, ou seja, avaliam-se as competências e todos ficam “presos” na necessidade de corrigir o que está errado no funcionário. O que está por trás disto? Alguns fatores culturais. O bom, ou seja, o que é valorizado em nossa sociedade, é tudo que é difícil, heróico mesmo. Não é por outra razão que filmes como “Duro de Matar” faz tanto sucesso. Além disso, outra característica cultural é o fato de que foi assim que fomos educados em casa, na escola, no primeiro emprego etc. Lembra, no colégio, o tamanho do “X” em vermelho quando errava uma questão? Então, é quase “natural” termos mais atenção ao erro do que ao acerto.

Naturalmente, não estou dizendo que as falhas nas competências não precisam ser cuidadas. A questão principal é onde colocar a maior carga de energia? Nos pontos fracos (ou oportunidades de desenvolvimento) ou nos talentos?

No coaching, a discussão se assemelha e, sem dúvida, podemos usar essa técnica tanto para lidar com conversas que requerem coragem quanto para alavancar potencial e cultivar talentos. E é exatamente isto que empresas no mundo todo estão fazendo.

Logo é mais importante enfatizar a descoberta dos talentos de cada um ou é melhor dar maior atenção à correção das falhas?A resposta é depende! Sim, depende da cultura que você quer criar na empresa ou no setor. Se você precisa de obediência cega fique na correção das falhas e dos erros, mas já se necessita de gente motivada, que trabalha com autonomia, recomenda seu produto aos amigos, concentre-se na descoberta dos talentos de cada um.
E saiba que a técnica de coaching foi criada a partir desta premissa, como explico em meu livro “Coaching – O Que Você Precisa Saber”. “…Existem várias versões sobre a origem do coaching. A que, na minha opinião, é a mais coerente é a que W. Timothy Gallwey publicou em 1974, “The Inner Game of Tennis” (“O Jogo Interior do Tênis”). Nesta obra o autor descreve como o jogador pode lidar com os obstáculos criados pelo seu próprio estado de espírito, o que o leva a render muito mais do que normalmente. Gallwey também aponta uma técnica para que o treinador do jogo de tênis, em vez de ensinar, ajude o esportista a destravar o seu potencial, suas energias e, assim, jogue muito melhor”.

Destravar o potencial, enaltecer os pontos fortes, este é o maior trunfo do coaching. Busque usá-lo desta forma e verá que os resultados serão surpreendentes.

Eliana Dutra, MCC

CEO da ProFitCoach