22 de julho de 2020

O que aprendi no ICF CONVERGE19 | Futuro do coaching Idade de ouro ou dsrpção

Por Susana Azevedo
(Baseada na apresentação de David Patterson – Dir. Coaching e Desenvolvimento Google)

Como qualquer boa conversa de coaching começamos – e terminamos – esta discussão com várias questões abertas.

A primeira questão é estabelecer o contexto e as premissas chave para esta discussão.

  1. As coisas mudam mais rápido do que nunca antes na história da humanidade
    1. Os líderes têm que aprender mais rápido e melhor
    2. As organizações têm que se adaptar mais rápido
  2. Diferentes tipos de coisas mudam, de formas diferentes, ao mesmo tempo
    1. Os líderes têm que aprender diferentes tipos de coisas mais rápido, de formas diferentes, ao mesmo tempo
    2. As organizações têm que se adaptar e inovar de formas novas e mais rápido
  3. Como navegar e prosperar em face a:

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A partir desse contexto o que já podemos identificar no horizonte para o coaching?

No curto prazo temos uma complexidade louca e mudanças em cascata que criam uma demanda gigantesca e uma Era de Ouro para o Coaching.

No longo prazo vemos uma Disruuupçããão Raaadicaaal! Não existe um único futuro, mas vários futuros possíveis.

Como fazer coaching exponencialmente melhor para trazer mais valor para coaches, coachees, líderes, organizações e para o mundo?

Comecemos imaginando o mundo fantástico, irresistível, excitante e transformacional do coaching!!! Um mundo de possibilidades, como nós, coaches, gostamos!

Só que para prosperar necessitamos evoluir, mais rápido que o passo acelerado dessa mesma mudança.

Isso exige de nós um novo paradigma e perspectiva, não chega trabalhar mais arduamente ou correr mais rápido.

Se nós mesmos não nos questionarmos continuamente e avançarmos também com a nossa prática, como podemos continuar efetivos e ser modelos estimulantes de desenvolvimento transformacional para os nossos clientes?

Precisamos neste momento começar a pensar no que vai nos disruptar, o que pode vir a influenciar a forma como trabalhamos.

Fazendo um pouco de brainstorming podemos identificar alguns dos principais vetores de disrupção para o coaching:

  • Mais coaches e com abordagens alternativas: comoditização, coaching interno, coaching em outros papeis (RH, amigos, pares, chefias);
  • Mercado de trabalho mais competitivo: modelos exclusivos de coaching, associações de classe, certificações em competição;
  • Tantos coaches confortáveis, felizes e complacentes, que adoram o que fazem, que adoram fazer coaching a pessoas espertas e motivadas, “os melhores clientes”;
  • Natureza da própria liderança em mudança:VUCA (Volatilidade, Incerteza e Imprevisibilidade, Complexidade, Ambiguidade), gestão da atenção e presença, natureza do trabalho e relações contratuais, mudança nas organizações;
  • Aprendizagem auto-direcionada: líderes aprendem a aprender sozinhos, recursos, ferramentas e apps instantaneamente disponíveis, agilidade de aprender, auto-reflexão, feedback em tempo real;
  • Tecnologia: RV/RA, IA/robots, “remédios” para performance, dispositivos “vestíveis”, monitoramento fisiológico, apps e ferramentas de aprendizagem, gaming.

Para apoiar a dar conta destas questões, o Dr. Patterson propõe um modelo.

 

Os 7 passos para a frente (7 Steps Forward Ò)

  1. Ficar na frente do mercado
  2. Seriedade e profissionalismo verdadeiro
  3. Cultivar real conhecimento e expertise na arte, ciência e mecanismos para acelerar o desenvolvimento
  4. Transformar o desenvolvimento transformacional
  5. Abraçar e alavancar o poder das tecnologias emergentes
  6. Ser exemplo de inovação e adaptabilidade
  7. ____ _ ___ _____ ______! _____ __!
  1. Ficar na frente do mercado

O primeiro ponto é como podemos explorar rotas diferentes para o coaching.

Aparecem algumas possibilidades:

    1. Melhorar as soluções para as necessidades atuais;
    2. Apoiar os desafios mais duros dos clientes: complexidade, ambiguidade, velocidade;
    3. Trabalhar com uma diversidade maior de clientes, mercados, necessidades;
    4. Entender melhor que os executivos como a liderança está mudando;
    5. Pesquisar o que realmente contribui para a performance, eficácia e eficiência;
    6. Apoiar os clientes a construir e liderar organizações mais robustas e viáveis.
    7. Apoiar os líderes a serem líderes mais efetivos daqui a 20 anos, a plantar as sementes para o futuro, não só pensar no curto prazo.

É importante dedicar algum tempo a pensar nessas e outras possibilidades, pois a liderança é mais crítica quando a direção e decisões não são claras, tal como atualmente. O que hoje podemos perceber nas nossas conversas com os nossos clientes são padrões recorrentes por todo o tipo de atividade e nível hierárquico. Fica claro como o termo VUCA surgiu dos cenários de guerra:

  • Diferentes perspectivas e necessidades
  • Diferentes interesses e agendas escondidas
  • Desacordo e conflito
  • Confusão, medo e ansiedade
  1. Seriedade e profissionalismo verdadeiro

O segundo ponto é realmente colocar o cliente na frente e promover a sua independência e autonomia: ensiná-los a aprender sozinhos, tal como líderes nas organizações fazem com as suas equipes.

Por outro lado focar em educar o mercado e os consumidores pode apoiar a criar e abrir espaço para o coaching sério e ético.

Por fim, sendo este talvez seja o mais crítico, é importante investir no nosso próprio desenvolvimento.

De que formas podemos fazê-lo?

Como desenvolver formas que o processo de coaching seja mais rápido, mais curto, melhor, mais barato, mais recompensador, entre outros, é um desafio, que pode ser abraçado se nós coaches assumirmos:

  • Uma atitude de experimentação e inovação e testarmos limites dos modelos, competências e paradigmas do coaching, aceitando os riscos dessa experimentação;
    • Maior humildade sobre a nossa contribuição.

Para desenvolver essa maturidade no coaching, de aprender a aprender também, não apenas nos nossos coachees, precisamos ir além:

  • Procurar se expor a diferentes filosofias e perspectivas de coaching;
  • Tentar novas ideias, junto com os clientes como parceiros de aprendizagem;
  • Promover a reflexão individual e coletiva com clientes e colegas sobre o funcionamento das ferramentas e metodologias;
  • Buscar honestidade sobre as reais motivações para aprender e como e porque escolhemos certas áreas para nos desenvolver e não outras.
  1. Cultivar real conhecimento e expertise na arte, ciência e mecanismos para acelerar o desenvolvimento

Como agentes de aceleração do desenvolvimento dos nossos clientes e suas organizações precisamos explorar e compartilhar conhecimento em várias áreas afins.

Dentro da psicologia dos comportamentos humanos devemos buscar e promover pesquisas de coaching e outros formatos de aprendizagem.

Devemos promover insights entre as comunidades, que podem co-criar e se inter-apoiar, através de por exemplo

  • Analisar sistematicamente colegas ou processos, com e sem sucesso;
  • Se comparar com o melhor e o pior líder que conhecemos e até se questionar o que tem em comum com cada um deles
  1. Transformar o desenvolvimento transformacional

Este é um dos maiores desafios: como desenvolver melhores ferramentas, técnicas e modelos para acelerar o desenvolvimento de maturidade e lidar com complexidade cognitiva e emocional.

O caminho é Pense Maior e Mais Longe de formas diferentes:

– Mais abrangente e mais afastado;

– Longo Prazo;

– Conexões, contexto e interdependências;

– Polaridades, dilemas e paradoxos;

– Expansivo: positividade e otimismo.

O convite é de se engajar ativamente e intencionalmente com o DNA do VUCA:

D – Diversidade

N – Novidade

A – Adversidade

Isso implica uma constante Curiosidade e Humildade.

Também convida à “Meta-reflexão” – vendo o todo, olhando a Humanidade, facilitando intencionalmente a conexão e senso de comunidade.

  1. Abraçar e alavancar o poder das tecnologias emergentes

Não podemos virar as costas à tecnologia. Devemos nos perguntar o que a tecnologia, dispositivos e apps fazem melhor e mais barato que coaches. E aí experimentar e alavancar o que funciona.

Temos que parar de tentar competir com a tecnologia.

Temos que focar no que os humanos fazem melhor.

A nossa Presença, Conexão, Emoções, Criatividade e Humanidade nos distinguem.

Temos que otimizar e experimentar mais esse intangível.

E aí nos permitimos questionar como podemos fazer o nosso trabalho ter mais ressonância com o apoio da tecnologia?

  1. Ser exemplo de inovação e adaptabilidade

Precisamos nos comprometer com a reinvenção ou rápido seguimento, nos expondo a novas ideias e experiências.

Experimentemos ir além da nossa zona de conforto e nos permitir sub-otimizar a nossa performance atual para criar espaço para desenvolver nossas capacidades para performance   futura e agilidade.

Nesse contexto é importante internamente refletir e escolher intencionalmente quem cada um de nós é e como vai comparecer.

  1. Crie o seu próprio caminho! Comece já!

No curto prazo temos uma demanda aumentada – A Era de Ouro do coaching.

A disrupção radical do longo prazo exige novos paradigmas e modelos mentais.

Para prosperar, coaches necessitam evoluir e não serem complacentes.

Fique na frente de acelerar o passo da mudança, liderando autenticamente, de dentro!

Susana Azevedo
Coach Executiva, Palestrante, Treinadora e Facilitadora Internacional e CEO da ns2a-Desenvolvimento Humano